Viamos e não Veremos, huma infame Proclamação que dê o nome de—Rebeldes!!!—aos Heróes que no dia 24 de Agosto levantárão pela primeira vez a voz da Razão, e do Heroismo sobre a Liberdade Constitucional.
Viamos e não Veremos, hum infeliz criminoso estar prezo quatorze annos ao fim dos quaes propor-se em Relação, e dar-se-lhe a escolher se queria morrer, ou ser carrasco! Tão infeliz quanto generoso, e de alma grande foi hum criminoso, que respondeo: Quero morrer, porque posto que eu com constancia tenha supportado quatorze annos de prizão, não me acho com forças bastantes para ficar o restante da vida com a obrigação de ser algoz da Humanidade!
Em fim Viamos… Viamos… Viamos… e não Veremos… e não Veremos… e não Veremos… coisas que tanto nos fazião a vista turva, e que nos estavão quasi fazendo cahir em hum perfeito Cáhos de escuridade; porém agora pelo contrario Veremos… Veremos… e Veremos… coizas que nos fação, e farão a vista clara qual Linces, nossos gosos felizes, e affortunados… Em conclusão:—Veremos, que assim como Portugal he nomeado, ou tido por—Paraiso na terra—nós o seremos por—Entes bemaventurados no Mundo.
Pensamentos, e Maximas proprias, e adequadas ás Idéas Intellectuaes, e Moraes do Homem.
Liberdade.
I. Diogenes, perguntado, que cousa havia melhor na vida, respondeo: A liberdade que perde o Avarento, em quanto se faz escravo de todos os vicios.
II. Empenhou-se Pericles a ter em sua companhia a Timon, e lhe fazia tão grande partido, que lhe prometteo com grandeza tudo quanto lhe fosse necessario para passar a vida humana alegremente: Respondeo-lhe elle, que não vendia a sua liberdade.
III. Nunca usamos melhor da nossa liberdade, do que quando a sacrificamos á direcção de pessoas, que hão de responder necessariamente da authoridade com que della usárão.
IV. Quem se lembrasse, que não foi dada a liberdade para della usar á descrição das paixões, mas só pelas regras do bom sentido, da razão, e das Leis, logo que se não sentisse com forças para a levar por estes caminhos, a não querer despenhar-se, estimaria topar a quem quizesse carregar-se do contrapezo de responder por si e pelos outros.
V. Persuadia huma Hippócrates, que se passas-se para Xerxes, dizendo-lhe que era bom Senhor. Respondeo elle: Nem ainda de bom senhor tenho eu necessidade.