Entre os livros que conteem escritos de Camillo, por certo que ainda falta—e até quando?—accentuar bastantes, embora V. apresente uma soberba lista; lembra-me indicar-lhe a A Propriedade intellectual do meu querido amigo e eminente publicista Visconde de Faria Maya, impresso num limitadissimo numero de exemplares, em Ponta Delgada; os Homens e letras de Candido de Figueiredo; A Sciencia e probidade de Francisco Adolpho Coelho; o Fausto de Castilho julgado pelo elogio mutuo de Joaquim de Vasconcellos; e um dos Catalogos do sr. Lima Calheiros: sendo possivel que neste capitulo se possam inscrever os trabalhos philologicos de Manuel de Mello e os opusculos faustianos de Graça Barreto. Escrevendo estas linhas longe dos meus livros, não posso jurar nas ultimas indicações, que registro, apenas, a beneficio de inventario.

Quanto á secção de jornaes e revistas, ha que ter em conta os numeros do Primeiro de Janeiro, em que Camillo publicou a Necrologia do commendador Vieira de Castro, as cartas a Germano de Meyrelles por motivo do processo do grande tribuno dêste nome, e a João de Oliveira Ramos, em occasiões varias; o Circulo Camoniano; o Diario da Tarde, onde a collaboração de Camillo foi extensa, e onde se acha reproduzida a materia do Bico de gaz (n.º 504), sem a menor obediencia ás sete chaves com que, annos depois (!), na Bibliotheca Municipal do Porto intelligentemente lhe vedaram, a V., o direito de copiar o exemplar, que lá se guarda; o Diario Nacional que revelou em primeira mão alguns dos promenores historicos de D. Luis de Portugal. Muitos outros haverá decerto. E por se fallar em jornaes, lembro-lhe a utilidade de nos indices finaes do seu trabalho, mencionar á parte os periodicos, de qualquer indole, que tiveram Camillo como redactor ou editor exclusivo, e bem assim os volumes que devem a sua impressão ou reedição ao grande escritor, embora com o concurso de livreiros. Dada a lucidissima organisação dos seus numeros de recorrencia, é facil esmiuçar toda a casta de indices. Um dos mais curiosos seria o de todas as pessoas citadas na Bibliographia Camilliana.

Uma observação ainda: diz respeito a tiragens especiaes. Ha, que eu saiba, dos seguintes numeros: 368 (poucos exemplares em papel Whatman); 401 (oitenta a cem exemplares em velino e linho nacional); 409 (1 exemplar em China, 2 em velino, e 38 em linho) 458 (6 exemplares em Whatman); 462 (diversos exemplares em linho); 488 (8 exemplares em China); 494 (6 exemplares em papel cartão amarello.) Das Poesias e prosas de Soropita fez-se tambem uma impressão á parte, de pouquissimos exemplares, menos talvez ainda do que os que o editor Chardron mandou tirar das Escavações bibliographicas, folhetim do Diario Mercantil, em que Theophilo Braga analisou severamente o apparecimerito daquelle volume.

Clareia a manhan, e tempo é de ensaiar um termo a esta carta, do tamanho classico das legoas da Povoa. Infelizmente, não lhe posso dar mais alta prova da minha consideração pelo seu livro, digno, em tudo, do grande escritor a quem é consagrado, e quasi pagamento de uma divida nacional. Por mim, registro-o como um dos mais valiosos subsidios para a nossa moderna historia literaria, e as pequenas minucias que lhe addito testemunham exhuberantemente ao meu amigo o applauso mais sincero e o parabem mais enthusiastico. Do seu editor, e meu excellente amigo A. M. Pereira, tão sómente lhe digo que, na publicação da Bibliographia Camilliana, praticou uma das mais bellas acções da sua brilhantissima carreira.

S. c. Lisboa, 25 de agosto, 94.

Seu adm.or e amigo obg.mo

Joaquim de Araujo.

Preço 200 réis