Logo que volte de Braga participo-lh'o.

De V. Ex.ª

Admirador e amigo

S. C. 2 de junho de 1882.

C. Castello Branco.

Nunca vi exemplares em grand papier do Perfil do Marquez de Pombal, mas o editor Manuel Malheiro asseverou-me que fizera imprimir uns tres ou quatro. Só a sr.ª viscondessa de Correia Botelho, minha muito estimada e querida amiga, poderá desenvincilhar hoje este pequeno problema bibliographico.

N.º 291—Genio do Christianismo—Embora o frontispicio das quatro edições publicadas atribua esta versão a Camillo Castello Branco, o facto é que a interferencia do grande escritor só tem relação com os primeiros capitulos; os demais foram vertidos por Augusto Soromenho. Para compensar o editor Coutinho, Camillo derivou o cumprimento do seu contracto para um romance original—Como Deus castiga! cuja acção se desenrolava pelos tumultos, a que no Porto deu origem a creação da Companhia das Vinhas do Alto Douro. Existem escritos cinco capitulos, um dos quaes se acha menos correctamente mencionado, sob n.º 607 da Bibliographia. A elaboração dêste romance data de 1861; abandonando o assumpto, Camillo saldou noutro volume as suas contas com o editor. Como Deus castiga! deve ser citado entre os n.os 49 e 55, no grupo de obras originaes.

N.º 300—A Freira no subterraneo.—Nenhuma das edições traz nome de autor; ouvi que Camillo redigira elle proprio o romance, aproveitando alguns dados de promenorisadas noticias, alludentes ao sequestro de uma emparedada em um convento russo.

N.os 333 e 373—Catalogos etc.—A serem verdadeiras, como são, para mim, as indicações de Henrique Marques, o logar dêstes numeros deve marcar-se entre a serie das obras originaes do autor.

N.º 470—Obulo ás creanças—As duas procissões, dos Mortos e dos moribundos, correram mundo em jornaes diversos, que não vejo designados no 5.º grupo da Bibliographia. A proposito, escreveu Camillo a Bulhão Pato uma eloquente carta, que este distinctissimo poeta engastou num commovido folhetim do Diario Popular, referente á loucura de Freitas e Oliveira. Camillo convidava Bulhão Pato a enfileirar tambem processionalmente os seus mortos queridos. Com um talento extraordinario de visão das idades transcorridas, com o inestimavel estilo que Oliveira Martins considerava impressionavelmente consolador e unico, nessas evocações, já, antes do convite de Camillo, Bulhão Pato fundira o inimitavel tomo Sob os Ciprestes. Pelo corrente deste livro, as suas recentes Memorias pertencem á cathegoria dos trabalhos de primeira ordem, que, entre nós, se teem produzido, na segunda metade deste seculo. Admiro sem restrições o autor de tão altos primores, como os que se revelam nas nobres paginas consagradas a Anthero de Quental.