—Quizera que a Agricultura, a Industria fabril e o Commercio recebessem do estado uma desvelada protecção, como fontes principaes da riqueza.
—Quizera que as estradas, os canaes, as barras, e em geral, todos os meios de viação merecessem a preferencia no extenso capitulo das nossas necessidades.
—Quizera que a communicação do pensamento não achasse obstaculos; e que o correio fosse inteiramente gratuito, tanto para as cartas como para os escriptos periodicos.
—Quizera que os orphãos, os doentes e os invalidos, que dependem da caridade publica, encontrassem nas casas de mesericordia lenitivo para os seus males; e que se franqueassem a todos os operarios as instituições economicas e preventivas da miseria.{34}
—Quizera que os cuidados exercidos sobre a saude publica conseguissem minorar e extinguir, se tanto fosse possivel, as causas de infecção, que vão minando gradualmente a robustez das gerações.
—Quizera que o derramamento da instrucção chegasse ás ultimas camadas sociaes; que a imprensa publica se tornasse um instrumento de progresso; e que o estado protegesse o talento abandonado, que a falta de cultura não deixa medrar.
—Quizera que a religião de nossos paes não servisse de escudo a interesses egoistas e mundanos, mas que acompanhasse o progresso da humanidade; que os bispos fossem, como n'outros tempos, eleitos pelo povo; e que os parochos se elevassem á altura de mestres e de moralisadores.
—Quizera que os interesses da localidade{35} fossem attendidos primeiro do que tudo; que o territorio se dividisse para todos os effeitos em grandes e bem regidos municipios; e que as aldeias tivessem os melhoramentos indispensaveis ao bem commum dos moradores.
—Quizera que a associação, origem de maravilhas, se estendesse a todas as classes da sociedade e principalmente áquellas que vivem do seu salario.
—Quizera que a familia, instituição primitiva e santa, não apresentasse o quadro odioso dos direitos de primogenitura, que dão a uns filhos a regalia de senhores, em quanto conservam outros na humiliação de servos.