Quia aeternus
(A Joaquim de Araujo)
Não morreste, por mais que o brade á gente
Uma orgulhosa e van philosophia…
Não se sacode assim tão facilmente
O jugo da divina tyrannia!
Clamam em vão, e esse triumpho ingente
Com que a Razão—coitada!—se inebria,
É nova forma, apenas, mais pungente,
Da tua eterna, tragica ironia.
Não, não morreste, espectro! o Pensamento
Como d'antes te encara, e és o tormento
De quantos sobre os livros desfallecem.
E os que folgam na orgia impia e devassa
Ai! quantas vezes ao erguer a taça,
Param, e estremecendo, empallidecem!
No turbilhão
(A Jayme Batalha Reis)
No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus proprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
Arrebatado em vastos turbilhões…
N'uma espiral, de estranhas contorsões,
E d'onde sáem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições…