Fito inconsciente as sombras visionarias,
Emquanto pelas praias solitarias
Echoa, ó mar, a tua voz antiga.
LOGOS
(Ao snr. D. Nicolau Salmeron)
Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim
E, o que é mais, dentro de mim—que me rodeias
Com um nimbo de affectos e de ideas,
Que são o meu principio, meio e fim…
Que estranho ser és tu (se és ser) que assim
Me arrebatas comtigo e me passeias
Em regiões innominadas, cheias
De encanto e de pavor… de não e sim…
És um reflexo apenas da minha alma,
E em vez de te encarar com fronte calma,
Sobresalto-me ao ver-te, e tremo e exoro-te…
Falo-te, calas… calo, e vens attento…
És um pae, um irmão, e é um tormento
Ter-te a meu lado… és um tyranno, e adoro-te!
Com os mortos
Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no gyro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos…
E eu mesmo, com os pés tambem immersos
Na corrente e á mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma livida, em cachões,
E entre ella, aqui e ali, vultos submersos…