Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei: vivem commigo.
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me tambem,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na communhão ideal do eterno Bem.
Oceano Nox
(A A. de Azevedo Castello Branco)
Junto do mar, que erguia gravemente
A tragica voz rouca, em quanto o vento
Passava como o vôo d'um pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermittente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céo pesado e nevoento,
E interroguei, scismando, esse lamento
Que sahia das cousas, vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idea gravitaes?—
Mas na immensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente immortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais…
Communhão
(Ao snr. João Lobo de Moura)