Reprimirei meu pranto!… Considera
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,
Quantos as mãos incertas levantaram
Sob este mesmo céo de luz austera!…

—Luz morta! amarga a propria primavera!—
Mas seus pacientes corações luctaram,
Crentes só por instincto, e se apoiaram
Na obscura e heroica fé, que os retempera…

E sou eu mais do que elles? igual fado
Me prende á lei de ignotas multidões.—
Seguirei meu caminho confiado,

Entre esses vultos mudos, mas amigos,
Na humilde fé de obscuras gerações,
Na communhão dos nossos paes antigos.

Solemnia Verba

Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, d'esta altura fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos…

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E noite, onde foi luz de primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera
Semeador de sombras e quebrantos!—

Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do penar tornado crente,

Respondeu: D'esta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se é isto a vida,
Nem foi de mais o desengano e a dor.

O que diz a Morte