Assim vae cada qual seguindo o rumo
Que o accaso ou o fado lhe depara:
Quem se pode encontrar? que laço estreito
Ha que os aperte? Idéa ou sentimento
Aonde em crença egual juntos communguem?
………………………………….
………………………………….
………………………………….
Com tudo Deus existe! e nós, seus filhos,
—Ingratos—se n'uma hora o olvidámos,
Dentro temos a voz de eterno brado!
Quem pode renegar seu pae? Nós somos
Como esse Adão occulto no arvoredo
Que não quer responder a quem o chama:
Porém se a voz do pae clamou tres vezes,
Não pode resistir—«Eis-me presente.»—
Dissidentes no mais, Deus nos reune:
No impio, ou crente, em todos Deus existe
E todos chama a si, e a todos ama.
Nós somos como rios que descendem
De varia serra, e em vario leito correm:
Mas, que importa? essas serpes tortuosas,
Após rodeios mil, após mil voltas,
Vão todas dar no mar; some-as o Oceano.
Que importa a crença varia e o vario affecto?
Este laço de amor a todos une:
—Existe um Deus que é Pae; somos seus filhos.
Coimbra, Maio, 1861.
III
FORÇA—AMOR
FORÇA—AMOR
O que destroe os mundos,
E dá que os mar's frementes,
Em volta aos continentes,
Cavem abysmos fundos;
A mão que faz que a noite,
Sem luz, amor, encanto,
Se envolva em negro manto
Aonde o mal se acoite;
Que pôs no olhar o brilho,
E deu ao labio o riso,
Á planta o pomo liso.
Seio de mãe ao filho;