Coimbra, Dezembro, 1859.
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DESALENTO-CONFORTO
DESALENTO
_A Sorte, amigo, a sorte é dura ás vezes! Agora nos affaga e nos alenta; E logo nos opprimem seus revezes…
Após leda bonança vem tormenta;
Succede a noite escura ao claro dia,
E ao rapido prazer a magoa lenta!
Assim de minha ardente phantasia
Aos sonhos perfumados de venturas
Que a beijar-me a fronte eu já sentia,
Ai! seguiram-se tristes amarguras
Que a vida a pouco e pouco vão comendo;
Deixando espinhos só onde as verduras
Eram brandos aromas rescendendo_!
Alberto Telles