Tudo vae, se rasga e parte,
Como em cidade assaltada,
Sob esses tufões gelados
Da tormenta—Gargalhada!
Das tormentas! Que sem conto
São esses ventos de morte;
E d'um ao outro horizonte;
E d'um modo e d'outra sorte.
Os suões do céo humano
E os simúns do seu deserto;
O que a gente vê ao longe,
O que a gente sente ao perto;
A gargalhada do sabio,
Que se chama… indagação;
A gargalhada do sceptico,
Que tem nome… negação:
A gargalhada do santo,
Que tem nome—fé e crença;
A gargalhada do impio,
Que se chama… indifferença:
A gargalhada da historia
Que se chama… Revolução:
E a gargalhada de Deus,
Que tem nome… Escuridão;
Eil-as 'hi vêm, as tormentas,
De todos os horizontes,
Subindo de todos vales,
Descendo de todos montes.
Eil-as 'hi vêm: já espectros,
Já como lavas ruindo:
Já nuvem, já mar, já fogo,
Mas sempre, sempre cahindo,
Desde a França… e são revoltas;
Da Allemanha… e são idéas;
Desde a America… e são fardos;
E da Russia… e são cadeias;
De Inglaterra… e são carvões
De fumo enchendo os pórtos;
Do Oriente… e são os sonhos;
E da Italia… Christos mortos;