O céo da Italia!… esse céo
Tem, por sol, a liberdade!
Riqueza… de claridade…
Mas se foi Deus quem lh'a deu?!
O que Deus dá é sagrado!…
'Stava o povo escravisado
E par'cia, de esquecido,
Prostrar-se tam compungido
Ante os pés de seu Senhor?!
Pois bem! a esse povo escravo
Bastou-lhe o brado d'um bravo
Para se erguer,—eil-o em pé!
E aos tyrannos, aos senhores,
Aos fortes, cheios de fé,
Bastou-lhes ouvir os clamores
D'essa turba esfomeada
Para deixarem a espada…
Raia a nova claridade,
A aurora da liberdade,
D'um proscripto no palor!
O povo toma as espadas,
Meias gastas e olvidadas,
Sobre as campas dos avós:
E, ainda vestido de dó,
Com esforço sobrehumano,
Ergue os hombros… e o tyranno
Treme… nuta… eil-o no pó!…
Quem derruba, sobranceiro,
Altos colossos por terra?
Quem é que faz d'uma guerra
A festa do mundo inteiro?
Um homem?
Não!
A Justiça!…
Deus!—o unico juiz
Dos povos na grande liça!
Só Deus!—
Elle dá ao triste
Allivios… não odios vís!
A essa Italia que hoje existe
Segredou-lhe, em quanto oppressa,
Como sagrada promessa,
Em vez de iras da vingança,
Estas palavras d'esperança:
«Tudo tem allivio á magoa:
A flôr murcha, a gotta d'agua;
Cruz, o moribundo exangue;
Um filho, a fera mais seva;
Amor, o martyr; a treva,
Um raio de claridade…
E o povo, que é vida e sangue,
Não hade ter liberdade?!»