Mulher! mulher! de que valera a essencia,
A essencia pura, a uma alma que é descrida?
Fica-te em paz: fique eu com minha guerra!

IGNOTO DEO

Corre aos braços da mãe o filho amado;
—Por olvidar, volvendo a sua historia—
Corre á mente do inf'liz doce memoria;
Corre á luz de um olhar o olhar buscado;

Vem o alivio animar peito magoado;
Corre o forte a buscar na morte a gloria;
Desfeita do viver sombra illusoria,
Foge o espirito livre ao seu anciado.

Tudo busca quem o ama: a luz dourada
Busca do seu viver, como no escuro
Quem avista uma luz lhe vae ao encontro.

Só tu, ventura! uma vez sonhada;
Só tu, sombra de amor! que em vão procuro,
Só tu, foges de mim, só não te encontro!

IGNOTO DEO

Senhor! eu sou teu filho! eu sou aquelle
Que tanta vez peccou, porém, contrito
Tanta vez tem erguido a ti o grito
Da aguia que o tufão no alto compelle.

E a aguia soffre tambem, como ave imbele,
E mais que ella (que põe mais alto o fito)
Mas da aguia que luctou, o brado afflicto,
Senhor! o teu ouvido não repelle.

Eu não caio, meu Deus, sem ter luctado;
Fraco sou, por que sou de barro e limo,
Porém, na tua Lei medito e scismo.