XI.

A M.C.

No ceu! se ha ceu pra os olhos de quem chora,
Ceu, para o peito de quem sofre tanto…
Se ha voz d'amor, e amor ha puro e santo
—Chama que brilha, mas que não devora…

No ceu! se uma alma n'esse espaço mora,
Que a prece escuta e enchuga o nosso pranto;
Se ha Pae, que estenda sobre nós o manto
Do amor piadoso… que eu não sinto agora:

No ceu, ó virgem! findarão meus males;
Heide ter vida (por que mais pareço
Sofrer a vida, que lograr favores)

Ali, ó lirio dos celestes vales!
—Tendo seu fim—terão o seu começo,
Para não mais findar, nossos amores.

XII.

A José Felix dos Santos.

Sempre o futuro! sempre! e o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
D'incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só nos farte a esprança um bem ausente!

O futuro! Que importa? se inclemente
Essa hora em que a esprança nos consiste,
Chega… é presente… e só á dor assiste?!
Assim, onde é a esprança que não mente?