Flor, viração, e prado, e erma penha,
Revolto mar ou golfo socegado,
Onde ha hi ser de Deus tam olvidado
Pra que alivio do ceu o ceu não tenha?
—Deus é Pae! Pae de toda a creatura:
E a todo o ser o seu amor assiste:
De seus filhos o mal sempre é lembrado—
—Ah! se Deus a seus filhos dá ventura.
N'esta hora santa… e eu—só—posso ser triste…
Serei filho, mas filho abandonado!
X.
Ad amicos.
PROPTER SOLATIUM.
Renasço, amigos, vivo! Ha pouco ainda
Disse ao viver «afunde-te no nada!»
E já, bem vedes, surjo á luz dourada
—No labio o rir, no peito esprança infinda—
Ah, flor da vida! flor viçosa e linda!
Envolto na mortalha regelada
Do só pensar—perdão!—foste olvida…
Flor do sentir e crer e amar… bem vinda!
A vida! como a sinto, ardente, imensa!
Não unica! tomando a imensidade!
Livre! perante Deus surgindo forte!
Que amor! que luz! que pira, vasta, intensa!
Plenitude! armonia! realidade!
Mas melhor que tudo isto é sempre a morte.