A Alberto Sampaio.
Não me fales de gloria: é outro o altar
Onde queimo piadoso o meu incenso,
E, amimado de fogo mais intenso,
De fé mais viva, vou sacrificar.
Que vai a gloria, diz! pra se adorar
—Fumo, que sobre o abismo anda suspenso—
Que vislumbre nos dá do amor imenso?
Esse amor que venturas faz gosar?
Ha outro, mais celeste, mais eterno,
Que, se o busco com fé, não quer fugir-me,
Nem dá, em vez de goso, negro inferno.
Só esse hei-de buscar, e confundir-me
Na essencia do amor, puro, sempiterno…
Quero só n'esse fogo consumir-me!
XV.
Ignoto Deo.
Vai-te, na aza negra da desgraça,
Pensamento d'Amor, sombra d'uma hora,
Que estreitei tantos seclos, vai-te—embora!—
Como nuvem que o vento impele… e passa.
Que arrojemos de nós quem mais se abraça,
Com mais ancia, á nossa alma! e quem devora
D'essa alma o sangue, com que mais vigora,
Como amigo comungue á mesma taça!
Que se torne impossivel a esprança,
E nunca a dor (que sempre o mal assiste)
E seja unica esprança a desventura!…