E eu sou teu filho! A um filho desgraçado
Que ha-de um páe recusar? Oh, dá-me arrimo,
Estende-me tua mão por sobre o abismo.
XXI.
A Germano Meyrelles.
Só males são reáes, só dor existe;
Prazeres só os gera a fantasia;
Em nada—um imaginar—o bem consiste;
Anda o mal em cada hora, e instante, e dia.
Se buscamos o que é, o que devia
Por natureza ser não nos assiste;
Se fiamos n'um bem, que a mente cria,
Que outro remedio ha hi senão ser triste?
Quem comsigo podesse que não vira,
Que esta vida nos sonhos lhe passasse…
Mas, no que se não vê, labor perdido!
Quem fôra tão ditoso que olvidasse…
Mas nem seu mal com ele ali dormira,
Que sempre o mal pior é ter nascido!