200 Reis


GUILLARD, AILLAUD & C.ia, LIVREIROS-EDITORES
47, Rua de S.t André-des-Arts
PARIS
Filial: 28, Rua Ivens, 1.º
LISBOA


1889

[CAMILLO CASTELLO BRANCO]

Quando se interroga um leitor portuguez sobre a individualidade litteraria de Camillo Castello Branco, o interrogado se é homem affirma a recordação dos risos, se é mulher a reminiscencia das lagrimas; e d'este duplo tributo, da razão e do sentimento, resalta a nitida comprehensão do homem de genio que ha trinta annos, dia a dia, armado da observação e da intuição, tem erguido o mais poderoso e alevantado monumento de que ha registro em lingua portugueza.{9}

[I]

Na dolorosa epopêa do genio discutido e calumniado abre uma excepção, que nos consola, este grande nome de Camillo Castello Branco. Os grandes homens insultados pela mediocridade confiaram sempre do futuro o glorioso desaggravo; Camillo encarregou-se da desforra; e os seus insultadores são homens mortos para a imputação, desde a hora em que o gigante os discutiu,—dado que não vinguem purificar-se no arrependimento e honrosamente confessal-o.