—E quanto lhe hei de dar por elles?

—Dá-me aquillo que o senhor quizer.

—Está bom, ahi tem um duro, serve?

—Muito obrigado, snr. D. Lucas. O que eu desejo é que os senhores os comam com saúde. Até outra vez, se Deus quizer.

—Adeus, tio Lobo.

O verdadeiro caçador tomou a dianteira aos caixeiros de Quijano. D. Lucas tratou logo de enfeitar o seu correão com os quatro coelhos, e pouco depois entrava em Madrid, tão inchado que não cabia na rua de Toledo, e causando inveja áquelles que ainda pela manhã tinham zombado d'elle.


X

Dois ou tres dias depois da famosa caçada, estavam no gabinete de D. João Quijano, palestreando junto do fogão, o banqueiro, seu sobrinho D. Lucas e quatro ou cinco amigos intimos da casa.

Fóra, no escriptorio, trabalhavam em silencio os caixeiros e com elles Angelo, cujas côres rosadas iam pouco e pouco desapparecendo, e cuja tristeza era cada vez mais profunda.

—Como vamos nós de caça, D. Lucas? perguntou um dos amigos.