—Ás mil maravilhas, respondeu D. Lucas.
—Meu sobrinho, acudiu o banqueiro, está sendo o rei dos caçadores! Pois não sabem que, domingo, teve a habilidade de se apresentar aqui com quatro coelhos, que pareciam quatro bezerros?!
—Que nos diz, homem?
—Nem mais nem menos, é como lhes conto. Aprendam como elle a matar coelhos onde ninguem os costuma matar, nos suburbios de Madrid.
—Sempre queria saber como isso foi, disse um dos interlocutores.
—Tem pouco que saber, disse D. Lucas. Matei domingo quatro coelhos, junto ao ribeiro do Luche. Aquillo foi n'um abrir e fechar d'olhos, e é preciso advertir que a polvora não prestava para nada.
—Não sei como isso se faz; eu cá, por mais voltas que dou, não sou capaz de levantar um coelho por estas visinhanças.
—É porque os senhores são caçadores das duzias! Eu por mim, nem sequer preciso de cão; havendo coelho, está prompto; faço-o saltar, e depois de lhe atirar, nem todos os santos lhe valem, porque onde eu puzer a vista ponho o tiro. Pum! coelho a terra!... Os quatro de domingo foi um momento em quanto caíram.
—Pois, senhor, não tem que vêr, é um bom caçador!
D'isso está elle convencido. A caçada de domingo ha de ser apregoada por toda a cidade; não falla d'outra cousa a quantas pessoas aqui entram!