—Não me dóe nada, mas sinto-me doente.
—Toribio! Toribio! vae, corre chamar o medico, que está o menino doente, gritou da escada D. Joanna.
Pouco depois chegou o medico. Tomou o pulso a Angelo, e fez um gesto de mau agouro.
—É coisa grave? perguntaram a um tempo, e com anciedade, D. Joanna e o banqueiro.
—Gravissima, respondeu o medico... e observando-o novamente, accrescentou, em voz baixa, dirigindo-se ao dono da casa;—está quasi a morrer.
Angelo abriu por um momento os seus meigos olhos, cujo brilho estava já empanado pelo sopro da morte, volveu-os para a imagem do Senhor crucificado, como querendo expressar-lhe profunda gratidão, e fechou-os logo, para nunca mais os tornar a abrir.
Todos proromperam em amargo pranto, á excepção de D. Lucas.
—E de que morreu? perguntou este ao medico, que tinha antecipadamente interrogado a familia ácerca dos padecimentos de Angelo.
—Morreu, lhe tornou o medico, de uma affecção moral, para cujo desenvolvimento contribuiram por certo padecimentos physicos. Os meninos são homens no sentimento, e creanças no vigor; por isso Deus amaldiçôa os seus oppressores. Este menino morreu da mais santa de todas as enfermidades; morreu de Nostalgia.