Como eu quisera ser nos sonhos d'ella
Um rei das lendas, o fatal D. Juan,
Pirata mouro em galeões á vella,
Com minaretes sob o ceu do Iran!
Como eu quizera—e que vontade intensa!—
Só pelo brilho d'essa longa trança!
Ser cavalleiro d'invencivel lança,
Ou rei normando d'uma ilha immensa!
Como eu quizera, no seu pensamento,
Ser o rei bardo no rochedo duro,
E ambos fugindo, recortar o vento,
Sobre a garupa d'um cavallo escuro!
Se me morresse, que comprido choro!…
Como vergára sob a cruz da Malta!
Como eu deitara a minha taça d'ouro
Por causa d'ella d'uma torre alta!…
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E assim por ella fico preso, em quanto
O sol s'esconde no occidente triste,
Um cravo murcha n'uma jarra, a um canto,
—E as aves vôam debicando o alpiste!
*AVENTURAS*
Tenho bem fundo, ainda, a sua imagem
Gravada na minha alma. Era alta e bella;
Tomei cognac muita vez com ella,
E aos circos a levei de carruagem.
Era nervosa e lyrica. De pagem
Não faltavam Destins áquella Estrella,
Lembra-me ainda a scena da janella,
E aquella em que morria na estalagem.
Depois viajou muito. Foi a Hespanha,
A França; Italia; Londres; a Allemanha;
Teve um naufragio, junto de Delhi.