(A C. Verde)

Tenho, defronte, uma visinha loura
Cuja carne alva, fina e setinosa,
Faz lembrar, quando á tarde o sol descóra,
A côr humana pallida da rosa.—

Não é fragil, nem debil, vaporosa,
Como as virgens mortaes que a luz não doura,
Antes é forte, esbelta e a voz sonora,
—Tranquilla e altivamente magestosa!

Nasceu formada assim para os amores;
E o modo com que rega as suas flores,
Na varanda, a sorrir, não tem rival!…

Ao vel-a os D. Juans baixam a falla!…
—Mas quanto a mim… quisera devoral-a
Com a fome imbecil d'um cannibal!

*ROMANTISMO*

Quando ergue o transparente da janella,
Ou que o seu quarto se innundou de luz,
Eu amo vel-a seductora e bella
—Longos cabellos sobre os hombros nus!

Oh como é bella! e como fico a olhar
Dos seus cabellos desatando a fita!…
Lembram-me as virgens que do austero ermita
Vinham as noutes d'orações tentar!

Oh como é bella! Tem na luz do olhar
Quaes violetas quando as fecha o somno,
Não sei que doce ou languido abandono,
Não sei que triste que nos faz scismar!

Como eu a espreito, palpitante o seio,
Como eu a sigo nos seu gestos vários…
N'aquelle quarto, aquelle ninho cheio
Da doce voz dos joviaes canarios!…