Se, acaso, aquelle nome solitario
Que eu fui gravar um dia no pinheiro,
Vinha descendo o sol… como um guerreiro
Cheio de sangue… atraz do campanhário…
Se, acaso, aquelle nome o tronco duro
Inda o guardou fiel!… e a larangeira!…
E eu não passei por este val escuro
Como uma ave lugubre e estrangeira!…
Se acaso inda te lembra d'esse, a quem
Tanta vez tu vestiste com as tranças!…
E á cova em que eu jazer vier alguem…
Sem ser as meigas pombas e as creanças!…
Se acaso aquelle fogo em que te abrasas
Inda não se apagou!… nem o encanto!…
—Mais que a ideal palpitação das azas,
Ser-me-ha doce, meu bem! ouvir teu pranto!
E n'essa cova então bella e dourada,
—Como a nossa união antiga e calma!
Colhe tu uma flor branca e raiada…
—Que n'essa flor te enviarei minha alma!
Toma cuidado n'ella… Ali se encerra
O que amaste!… e, ah! não vás como as mulheres
Curiosas d'amor, lançando á terra
As folhas virginaes dos malmequeres!…
Planta-a dentro d'um vaso predilecto…
Entre os outros, á luz… sobre a sacada…
E eu gosarei como um praser secreto,
Sentindo a tua mão pequena e amada!…
Será esse o meu goso derradeiro!…
O meu sol, meu azul, o meu espaço!…
E ao sentir-me regar pelo teu braço…
Lembrar-me-ha o teu osculo primeiro…
Lembrar-me-ha a giesta, o rosmaninho,
A larangeira e o grade muro branco…
—E quando iamos fallar no velho banco,
Ás tardes… junto ás tilias do caminho!