*O NOVO LIVRO*[4]

Vou cantar novos casos dolorosos…
E navegar n'outro épico Oceano,
Novas vellas soltar!—O ouvido humano,
Que se preste a meus cantos vigorosos!

Por que eu fulminarei os crapulosos,
O fanatico, o Escriba, o Publicano,
E arrastarei á luz—como um tyranno,
O santo d'olhos doces e amorosos.

E, por tanto, homens cheios de vaidades!…
Preparai-vos a ouvir rubras verdades
Que vos hão de queimar como carvões…

E se não receaes ver morto o Erro,
—Vinde á janella a ver o grande Enterro…
E o desfilar das lividas visões!

*ALGUMAS PALAVRAS*

Achámos sempre de supremo mau gosto ver o auctor, na sua propria obra, demorar-se complacentemente n'um prologo, como que fabricando uma auréola.

Por isso, isto não é a demorada profissão de fé d'um poeta novo, nem a rhetorica pomposa e esteril de quem intenta dar realce a um livro.—É apenas uma explicação.

Este livro, producto d'uma inspiração meridional e algumas verdades heroicas, não se filia, exclusivamente, em nenhuma escola conhecida.

É uma obra na qual influiram muitas e varias correntes do espirito humano, e muitas impressões, muitas nobres ideas do seu tempo.