Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
Desfeita podridão, velho madeiro!
Que tens avassalado o mundo inteiro,
Como um pendão de luto levantado.
Se o que foi nos teus braços cravejado
Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
Elle está mais ferido que um guerreiro
Para livrar das flexas do Peccado.
Ha muito já que espalhas a tristeza,
Que lutas contra a alegre Natureza,
E vences ó Cruz triste! Cruz escura!
Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
Queremos Vida e Acção—Fica-te sendo
Um emblema de morte e sepultura!
*LUTHERO*
Ah, és tu diabo?…
(Lenda mouacal)
Luthero, o frade austero e macilento,
Encontrou a Satan dormindo um dia,
N'uma rua d'Erfurt, á ventania,
Envelhecido, calvo e vinolento.
Dorme! gritou-lhe o frade… a teu contento,
Guloso Pae da Indigistão, da Orgia!
Renunciaste as lições de theologia,
Ó velho corvo mau do Firmamento?!
O mundo como tu é calvo e velho;
A Egreja é o lupanar do Evangelho;
E tu ó ébrio, gulotão, descanças!?…
Satan, olhando o azul, disse:—As estrellas
Vão pelo Ceu tão baças, amarellas,
Deus já deixou enferrujar as lanças!