E andar comtigo, ó meu pomo,
Exposto ás chuvas e aos soes!
E uma noute morrer como
Se morrem os rouxinoes!

Morrer chorando, n'um choro
Que mais as magoas consolla,
Levando só o thesouro
Da nossa triste violla!

Por que andas tu mal commigo?
Ó minha doce trigueira?
Quem me dera ser o trigo
Que, andando, pisas na eira!

*A AGUIA*

No tempo em que era a grande deusa viva
Os deuzes, os heroes e as Musas bellas,
Dizia uma aguia velha e pensativa,
Que fizera a viagem das estrellas:

—Vão-se indo as tradições! e hão-de ir com ellas
Apollo, Jove, Vichnou e Siva!
Um astro é grão de luz; o mar saliva
De ti ó grande Pan!… Só Pan tu vellas!…

Mas quando assim fallava a aguia, eis quando
Se ouviu aquella voz triste bradando
Na Sicilia: Morreu o grande Pan!

Epheso estremeceu, carpiu Eleusis;— Mas a aguia velha gargalhou:—Ó deuses! Qual será o deus novo de ámanhã!

*ACCUSAÇÃO Á CRUZ*

Ainsi lirat-il les artiques vérités, les tristes vérités, les
grandes, les terribles vèrités.
(De Quincey)