As curvas do seu collo assetinado,
Mais fino que o das rollas amorosas,
Dar-me-hiam as noutes voluptuosas
De que fallam os doutos do Peccado.

Mas, no emtanto, lá fora o sol adusto
Queima as campinas e o aldeão robusto;
Vôam abelhas a colher o mel.

E eu cheio de tristeza e d'anciedade,
Continuo a scismar—como um abbade—
Na Virgindade olympica e cruel.

*CANTIGA DO CAMPO*

Como eu adoro as tuas «simplicidades!»
(Heine)

Por que andas tu mal commigo?
Ó minha doce trigueira?
Quem me dera ser o trigo
Que, andando, pisas na eira!

Quando entre as mais raparigas
Vaes cantando entre as searas,
Eu choro ao ouvir-te as cantigas
Que cantas nas noutes claras!

Os que andam na descamisa
Gabam a violla tua,
Que, ás vezes, ouço na brisa
Pelos serenos da lua.

E fallam com tristes vozes
Do teu amor singular
Áquella casa onde cozes,
Com varanda para o mar.

Por isso nada me medra,
Ando curvado e sombrio!
Quem me dera ser a pedra
Em que tu lavas no rio!