Monges, o que haveis feito, inda o farieis hoje?!

*A BELLA FLOR AZUL*

Quem saberá «signora» d'onde terá nascido esse bello lyrio branco?
(Velha Comedia Italiana)

Eu não sou o fatal e triste Baudelaire;
Mas analyso o Sol e decomponho as rosas,
As rijas e crueis dahlias gloriosas,
—E o lyrio que parece o seio da mulher.—

Tudo que existe ou foi, morre para nascer;
Na campa dão-se bem as plantas graciosas,
E, um dia, na floresta harmonica das Cousas,
Quem sabe o que serei quando deixar de ser!

A Morte sae da Vida—a Vida que é um sonho!
A flor da podridão, o Bello do medonho
E a todos cubrirá o mystico cypreste!…

E, ó minha Sphinge, a flor pallida e azul no meio,
Que hontem tinhas no baile, e que trouxeste ao seio
Levantei-a d'um chão onde passára a Peste.

*HORA DO MEIO DIA*

J'étois inquiet distrait, réveur; jé dèsirois un bonheur dont je
n'avois pas l'ideé.
(Confessions de J.J. Rousseau)

—Sosinho no meu quarto retirado,—
Certas horas do dia calorosas,
Quando as flexas do Sol queimam as rosas,
Eu scismo no seu corpo esbelto e amado!