E então n'aquella vaga somnolencia—
Somnolencia em que a terra desparece!
Mais immortal seu vulto me parece;
Mais cruel e sem fim aquella auzencia!

Nuvens da tarde, azul fundo e sereno!
E astros inviolados, larangeiras!
Nunca mais me dareis seu riso ameno
E aquellas lindas, languidas olheiras.

Quando é que, ó grande e santa Natureza!
Me poderás um dia consollar
—D'aquella que já mais eu pude amar!—
Inacreditavel, lugubre crueza!

D'aquella que talvez, alegre e louca,
Eu de certo amaria;—amara, é certo!—
Mas que era pobre e só, e cuja boca
Tinha a vermelha côr d'um cravo aberto!

Cuja voz era doce como um favo,
Voz que tocava as cordas mais secretas!
Que nos fazia o coração escravo,
Cujos olhos… leaes tulipas pretas!…

Nuvens d'Agosto, azul fundo e, sereno!
E astros inviolados, larangeiras!
Nunca mais me dareis seu riso ameno
E aquellas lindas, languidas olheiras!

Nunca mais… Ah! mas não; Virá um dia,
—Dia livre de vis conveniencias!—
Que a ella me una em fim na terra fria,
E te ache ó paz! nas santas florescencias!

*O PECCADO*

Nunca cessamos de peccar
(Imitação de Christo)

I