*Ubique doemon*

Bem sei… e mais que o sei, claro luar!
Que segundo a severa theologia,
Pelas noutes sonoras de poesia
O aroma dos lyrios faz peccar!

Quem vos diría!… madresilvas, mar,
Lilazes, claros rios, cotovia!
Que ao dizer da tirannica theoria,
Vós farieis a Carne triumphar!

Ah! Natureza, pois, se és criminosa,
E nos levam ao mal urnas da rosa,
Bom coração de Christo imaculado!…

Quantos não vês morrer, do ceu prufundo,
Cheios de sangue, como heroes no mundo,
—Exhautos dos mil golpes do Peccado!?—

II

*O Peccado*

Elle é antigo, tragico e venal,
Amando a Carne, o Crime e os assassinos,
E como a folha acerba d'um punhal,
—É quem golpeia os seios femeninos!—

É complicado, mystico, mortal,
Com sombrios escrupulos divinos,
E é quem faz estorcer os braços finos,
E escorregar a lagrima final.

No entanto, grato e funebre Peccado!
Atrahente, gostoso e desejado,
Negro nome de vicio e perdição!…