Que ha de a terra agreste e dura
Servir-te de ultimo leito…
E a pedra da sepultura
Quebrar teu corpo perfeito!

E has de, emfim, ser devorada
Na fria noute, entre os bichos…
Ó tu que andas adorada,
Como as santas sobre os nichos!…

—Eu bem sei que te não does
Do meu coração ralado,
E fazes aos rouxinoes
Parodias sobre o teclado.

Que amas ver—como n'um drama,
O meu coração ferido,
Como um gladiador de fama,
Sobre um theatro vencido.

—Ah! mas eu que já estou velho…
Carcomido como a Cruz…
Digo adeus ao ceu vermelho…
E ás boas tardes de luz!

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Adeus, adeus, ó Amor!
Sinistra farça divina,
Mais sonoro que o tambor
De bohemia bailarina!

Adeus, adeus, ó outomno!
Vão-se as folhas amarellas!…
Sinto-me cair de somno,
Olhando para as estrellas!

Sigam todos os meus rastros!…
Andei errado o caminho!
E sinto-me ebrio dos astros
Como um bebado de vinho!

Adeus, adeus rola amada!
Não chores a minha viagem…
Vou hospedar-me no Nada,
Como na boa estalagem!