N'uma flor que porá talvez sobre a janella—
Uma flor rubra e negra, em forma d'uma estrella,
—Como uma symphonia obscura de terror!
*MADRIGAL FUNEBRE*
Na mortalha alheia não temos mais que fazer
Bernardim Ribeiro.
To die to sleep.
(Shakspeare)
A ti que os meus ais resumes
Estas quadras dolorosas,
Corpo inundado em perfumes,
E de pomadas cheirosas:
…………………………………… ……………………………………
A mim custa-me a morrer,
—Não por que esta vida valha;
Mas porque sei que heide ter
Teu coração por mortalha.
E, depois d'estes abrolhos,
Hei de ter a valla escura
Do teu peito, e esses teus olhos
Coveiros da sepultura.
Não terei pompas de pasmos,
Nem a estatua que lastíma;
E hão de mandar pôr-me em cima
Uma cruz dos teus sarcasmos!
E para que a morte atteste
Epitaphio de bocejos,
—E ao pé erguido um cypreste,
Nascido dos meus dezejos.