Os seus labios vermelhos e discretos
Lembram romãs das cercas clericaes,
E os seus olhos sombrios são mais pretos
Do que o latim escuro dos missaes!
Se, acaso, o mundo nota-lhe alguns erros,
Compensa-os para mim com bons presuntos;
Os olhos d'ella fazem mais defuntos,
Dos que o padre acompanha nos enterros!
Fugiu de mim a vã melancholia!…
Ella é franca e alegre como a vinha…
E em quanto o padre está na sachristia
Eu devoro-lhe as aves na cosinha.
—Mas, hontem, que gosando o seu amor
Dormia, santamente, entre seus braços,
Bateu, tragicamente, o bom prior,
E a escada rangeu sob os seus passos…
O coração pulsou-me acelerado;
Ella estacou trémula e suspensa….
Mas levou-me a um sitio agasalhado,
—E dormi toda a noute na dispensa.
*A ULTIMA CEIA DE FALSTAFF*
Nunca mais me permitte a sorte crua
Que ande ás portas batendo tresnoutado,
Vae morrer em beco, abandonado,
O maior bebedor que olhou a lua!
Dos braços da creada seminua
Nunca mais rolarei sobre o telhado;
E, ao relento, encherei, com passo errado,
De lettras cabalisticas a rua.
Vae morrer, morrer sim, por seus castigos,
O estomago que foi mais forte e cheio,
Que na Paschoa ceiou com Satanaz…
Cae o rival dos bebados antigos!
Ó toneis immortaes abri-lhe o seio!
—São-me fataes as ceias de goraz!—