Deus não tinha vibrado ainda o açoute
A gerações inteiras,
Nem o Christo suára a longa noute
No Jardim d'Oliveiras.
Não andavam os tristes miseraveis
Torcendo os braços nùs!
Nem erravam na treva, inconsolaveis,
Os expulsos da Luz.
E não haviam sangue ainda chorado
Os santos nos desertos,
Nem no craneo do morto esverdeado
Inda lyrios abertos!
Não pisava inda um pé selvas umbrosas
E florestas bastas,
Os mares eram mansos!—sempre as rosas
Eram brancas e castas!
Não era côr de sangue assim vestida
Inda a rosa vermelha,—
Nem o ceu tinha a côr desvanecida
D'uma tunica velha.
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Toda uma noute, a Mãe primeira errante
E todo um dia andou!
Da noute a branca luz de diamante
Os passos lhe guiou.
E abandonavam seus pombaes as pombas
Seguindo-a pela estrada!…
E o mar dizia ao vento: Por que zombas?
Pobre mãe desgraçada!
E as montanhas choravam;—pois poderam
Prantos de mãe fendel-as!
E toda a noute pelo ceu correram
Mais tristes as estrellas!
E o mar tinha uma voz dorida, como
Na noute do Salem,
E quando o sol nasceu em rubro assomo
Arrastava-se a Mãe!