E perguntava ao vento: Onde está elle?
—Quem o meu filho viu?
E o vento respondeu:—Não sei d'Abel!
E o mar, ao fim, carpiu!

E arrastava-se assim no fim do dia—
Já quando toda exangue,
—Uma roseira avista que tingia
A côr rubra do sangue:

Então dorida estatua,—hirtos os passos,
Ai de mim! ai de mim!
Gritou, convulsa a Mãe, torcendo os braços,
«Aqui passou Cain!»

No principio eram mais doces os olhares
Socegados de Deus!
Era mais verde o manto destes mares
E mais azues os ceus!

E a Rosa era só branca, pura, exangue;
—Pois que como hoje assim
Não corrêra sobre ella ainda o sangue
Que derramou Cain!

*NO ENTERRO D'UM CORAÇÃO*

(A Betencourt Rodrigues)

Vaes a enterrar nas hervas verde-escuras,
Na fria terra, ó santa, que devias
Não ter roçado estas paixões impuras,
E estas lepras,—irmã das cotovias!

Vaes a enterrar sob as folhagens frias,
—Vóz alegre, rir cheio de doçuras!
Ó lindo coração! que só te abrias
Para a dôr das alheias amarguras!…

Vão-te levar á terra, ó casto e amado!—
Mas olha!—os vegetaes tem mais cuidado
Dos seios virginaes do que a paixão!…