—Mas, eu não preso a tarde ensanguentada…
Nem o rumor do Sol!—quero a calada
Noute brumosa junto do Oceano…
E assim, sem ai nem dôr, entre a neblina,
Morrer-me, como morre a balsamina,
—E ouvindo, em sonho, os ais do teu piano.
*QUADRA D'UM DESCONHECIDO*
Eu morrerei, ó languida trigueira!
Sem sentir teus cabellos sobre mim,
Coroado dos lumes da poncheira,
Sobre o chão immoral d'um botequim!
*EM VIAGEM*
Ia o vapôr singrando velozmente
O verde mar antígo e caprixoso,
Á rude voz do capitão Contente,—
Um rubro homem do mar silencioso.
Demandava a Madeira,—a ilha bella,
A patria excelsa e celebre do vinho,
A viagem foi curta; e no caminho
Intentei relações com Arabella.
Arabella era a lyrica ingleza,
Loura, pallida e fragil como um vime,
Que traz sempre a sua alma meiga presa
D'algum amor profundo, mas sublime.
O londrino, o Antony d'esses amores,
Era um rubro e excentrico burguez,
Mais amigo do bife que das flores,
—A extravagancia de chapeu inglez,
Seu olhar dubio, incerto e traiçoeiro
Tinha visões de sangue derramado
Em toda a parte; ao todo um ex-banqueiro,
—Um calvo, velho amigo do Peccado!