—Quem foi? Quem é que arrasta, eternamente,
A velha e a nova geração que perde
O seu calor, seu sangue, febrilmente—
Aos braços infernaes da Musa Verde!?

A Miseria—a irmã velha do Peccado,
—E o Luxo, o Mal!—tão negros conselheiros!
São quem os faz, no asphalto abandonado,
Ver apagar, com dia, os candieiros?…

Ou será, tambem,—goso triste insano
Da alma escura!—e nova podridão
Do homem de hoje, blazé como um tyrano:
—De se sentir boiar na perdição?!

*IDYLIO D'ALDEIA*

Oh! que harmonia!
Cadente s'esvoaça pela fresta
D'um visinho postigo!
(Hostia d'ouro)

Não sei que ha que me impelle
Para o teu escuro olhar!…
É mais branca a tua pelle,
Do que o linho de fiar!

É tua boca um botão,
E o teu riso a lua nova;—
Quem me dera ter na cova
Os ais do teu coração!

Mal podes saber o gosto
Que tive da vez primeira
Que te avistei, ao sol posto,
Debaixo d'esta amoreira!

Desde esse dia, andorinha!
Desde essa tarde infeliz,
Fiquei preso da covinha
Que fazes quando te ris!

Não sei que ha que me impelle
Para o teu escuro olhar!…
É mais branca a tua pelle
Do que o linho de fiar!