Ha que tempos, dizei!—Ha muitos annos?…
E, com tudo, astros santos, deshumanos,
A vossa luz é sempre clara e egual!
Ha muito, que sois bons, castos, brilhantes!…
—Mas, tambem… ó crueis! sempre distantes…
Como dos nossos braços o Ideal!
*NA FOLHA D'UM LIVRO*
Uma é a forma ideal do triste anjo vencido,
—A outra, a doce luz diaphana da manhã!
E entre ellas chora e diz meu coração perdido:
—Em mim vencerá Deus, ou ganhará Satan!?
*OS BRILHANTES*
Não ha mulher mais pallida e mais fria,
E o seu olhar azul vago e sereno
Faz como o effeito d'um luar ameno
Na sua tez que é morbida e macia.
Como Levana… esta mulher sombria
Traz a Morte cruel ao seu aceno,
O Suicidio e a Dôr!… Lembra do Rheno
Um conto, á luz crepuscular do dia.
Por isso eu nunca invejo os seus amantes!
—E em quanto hontem, gabavam seus brilhantes,
No theatro, com vistas fascinadas…
Tortura das visões… incomprehensiveis!
Em vez d'elles, cri ver brilhar—horriveis
E verdadeiras lagrimas geladas!