O que é que mais desejas
De tudo quanto existe?
O amor?—O que é que invejas
Bom lyrio branco e triste?!
Ó vil sorte mesquinha!
E eterno desejar!
—Invejas a andorinha
Que vôa pelo ar!?
*A UMA ANDORINHA*
Nas brisas da tardinha
Pára teu vôo um pouco;
Ouve um poeta, um louco,
—Escuta-me andorinha!
Um pouco deixa os ninhos;
Attende as vãs loucuras,
—Tambem nas sepulturas
Vôam os passarinhos!
Nem sempre o azul ethereo
Quaes flexas vão cortando,
—Tambem riem, voando,
No chão do cemiterio!
Lavam os pés rosados
Nas urnas funeraes;
—Tu, mesmo, nos telhados
Moras das cathedraes!
Não fujas d'um poeta,
Que ha nuvens mais sombrias!
—Tu já moraste uns dias
No nicho d'um propheta!
Por tanto, tu que adoras
A primavera e o Sul,
Dize-me,—no alto azul,
Quem faz sempre as Auroras!
Quem dá tintas vermelhas
Ao Sol poente que arde?
—Quem coze as nuvens velhas,
E accende o astro da tarde?