E o que são essas vozes laceradas,
E, ó gigante! essas vastas convulsões,
Senão… senão… mortaes lamentações
De cidades e egrejas sepultadas!
Que blasphemías! que choro vem do fundo
Do teu peito tão largo e descontente!
—São talvez das galés do Novo Mundo,
Ou dos ricos navios do Oriente!
Quem tem na voz suspiros mais convulsos,
E mais duros e lugubres lamentos
Do que á tormenta, e aos desgrenhados ventos…
—O mar cheio de medos e soluços?!…
E quem como elle assim nos dá confortos…
Ou balsamos leaes, desconhecidos,
Alento e amor aos corações vencidos,
—E quem mais e melhor falla dos mortos!
…………………………………… ……………………………………
Por isso eu irei só—ó Mar eterno!
Triste e só, escutar-te entre os rochedos…
Duro, sombrio, esguedelhado e terno,
—Como a Harmonia cheia de segredos!…
*DOENTE*
Podesse eu junto a mim—eternamente!—
Sentir roçar, meu bem! o teu vestido
E ó ventura! o teu bafo enfebrecido,
Teu doce olhar e o teu sorrir doente!
Caia do monte o cedro! a grande molle!
Que feneça a herva prata lá no val—
Que me importa!—e qual é meu grande mal
Que morra o cedro, e a planta s'estiole!…
Mas tu, meu bem! mais bella que a herva prata
Banhada pelo orvalho transparente…
Não quero que te vás de mim, ingrata,
—Nem teu olhar, nem teu sorrir doente!