—Ella travando as suas mãos das minhas,
Me disse, ingenua, então:—Estou scismando
No que dirão, no ar, as andorinhas?!
*JUNTO DO MAR*
Que vezes viajando no Passado,!
—Nas horas das torturas das Chimeras—
—Meu bem!—scismo nas limpidas espheras,—
Junto do verde mar lento e chorado!
N'esses astros talvez já habitámos,
—N'outros tempos mais santos e felizes!
E, ó nuvens! bem sabeis se entre as raizes
Dos mortos, para os soes nos elevámos!
Talvez que ali tambem fomos romeiros
Sedentos do Ideal—sem o encontrar!
—Melhor vós o sabeis, castos luzeiros!
Ó chorosa e sonora alma do Mar!
Talvez ali tambem—riste, amorosa…
Cantando entre as torturas assassinas!…
Como as rosas que tapam d'uma lousa
As vãas escuras inscripções latinas!
Talvez tam bem choraste nos caminhos…
E alegre riste, ás virações contrarias,
Como, ó meu bem, ao sol, os passarinhos
Riem dentro das urnas funerarias!
Talvez! quiçá! Talvez!—Ó Mar eterno!
Tu que és sonoro e minas os rochedos,
Duro sombrio, esguedelhado e terno…
Como a rabeca cheia de segredos!…
Tu que sabes d'antigas desventuras,
E que sabes chorar!… que és musical!…
Dize se encontras mais amargo sal
Do que os prantos das nossas amarguras!
E comtudo que és tu… mar lastimoso!
Guardando como o avaro um vão thesouro!…
Sempre vago, cruel, mysterioso…
—Senão d'um mundo extinto um longo choro!