Nas paredes estão, nas preciosas telas,
Pintados menestreis, pastoras e guitarras,
Debruçam-se os jasmins nas grades das janellas,
E os lyrios, como uns ais, morrem nas finas jarras.
Tudo agonisa ao pé, n'aquella solidão!…
—Solidão de mulher distincta e perfumada!
Cuja pelle é talvez mais fina que a pomada,
E as farinhas d'Italia e as sedas do Industão!…
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Tudo agonisa ao pé,—só elle altivo e bello,
No seu vaso de jaspe entre as demais existe,
Como um rei infeliz n'um ultimo castello,
Com um ar virginal e com um modo triste!
E no entanto talvez a mystica amorosa,
—A noiva a dona d'elle, occulta uma outra magua
No morto coração, mais morto que uma rosa,
E do que elle amanhã na sua jarra d'agua!
*HORA MYSTICA*
Hour of love
(Byron. Parisina.)
Do pôr do Sol áquella luz sagrada,
Eu perdia-me… ó hora doce e breve!
Meu peito junto ao seu collo de neve,—
—N'uma contemplação vaga e elevada!
Nossas almas s'erguiam, como deve
Erguer-se uma alma á Luz afortunada;
Do mar se ouvia a grande voz chorada;
—Palpitavam as pombas no ar leve!
Eu então perguntei-lhe, baixo e brando:—
Em que mundos de luz é que caminhas?…
Que torre está tua alma architetando?…