QUINTA PARTE
HUMORISMO
*ARANHA*
N'um sonoro theatro antigo da Alemanha,
D'um violino aos ais, banhada de luz viva,
Surgia d'um covil uma grotesca aranha,
Dos banquetes do Som habitual conviva.
O ser sombrio e obscuro, ó meu amor! não priva
Da adoração do Bello, a adoração extranha!
E assim se embriagava a escura pensativa
Da lyrica emoção que nossa alma banha!
Mataram-a uma vez. Não mais a pobre amante
Da Musica, surgiu áquella luz brilhante;
Foi-lhe o velho theatro a sua sepultura…
Assim preso tambem pela attracção que choro,
—Não te rias cruel! Ó idolo que imploro!…
Tu és o Violino e eu sou a aranha escura!…
*NOVA BALLADA DO REI DE THULE*
N'um paiz nada visinho…
Em Thule até mui distante,
Houve outr'ora um rei farçante,
Um rei amigo de vinho.
Quando sua amante fiel
Mimosa e cheia de graça,
Morreu, deixou-lhe uma taça
Que semelhava um tonel.