E eu suffocando dentro os meus anhelos,
Soluçava d'amor, ó crua filha,
E exaltava-me o olor dos teus cabellos,
Onde escorrem perfumes de Manilha.

Mas eu heide vingar-me, ó tranças negras!
Ó cansados, mortaes olhos celestes!
Quando fores, nas plantas verde negras,
Morar debaixo, um dia, dos cyprestes!

Quando morreres, meu botão d'um dia!
Açucena que puz no peito o abrir!
Farei da tua tez fina e macia
Um prosaico barrete de dormir!

Farei da tua trança azevichada
Um cachenez, por causa dos catarros
E será no teu craneo, ó minha amada!
Que eu deitarei as pontas dos cigarros!

D'essa carne farei abertas rosas
Que enganarão as brancas borboletas!
E teus olhos, em jarras preciosas,
Olharão, como duas violetas.

Farei da boca um cravo, que no fraque
Porei sempre que saia de passeio…
E mandarei fazer um almanak
Na pelle encadernado do teu seio!

Forrarei as paredes do meu quarto
Com tuas longas cartas de namoro…
E ali passearei de illusões farto,
Como o avaro no meio do seu ouro!

E então tu serás minha, ó tranças negras!
Quebrados, sensuaes olhos celestes!
Quando fores, nas plantas verdes negras,
Morar debaixo, um dia, dos cyprestes!

*EL DESDICHADO*

Ninguem póde dizer que soffro ou tenho;
Eu não amo a princeza da Golconda,
Nem da prisão livral-a é meu empenho,
Qual paladim da Tavola Redonda.