A incognita de Vairão era a senhora D. Maria Isabel de Baêna Coimbra Portugal, com quem o poeta ajustou casamento, sem ainda se conhecerem pessoalmente, e com quem veio a casar na egreja do mosteiro a 29 de Novembro de 1834; filha de Francisco da Silva Coimbra de Carvalho, e de D. Maria Fortunata Agostinha de Portugal.[{6}]

Algumas rapidas annotações irão acompanhando o texto; no mais deixemos falar o poeta. Melhor que ninguem nos saberá iniciar nos segredos da sua vida, que n'este livro decorre desde 1800 até 1837; isto é: desde o berço d'elle até á campa da sua virtuosa e digna primeira mulher, inspiradora, companheira, confidente, e amiga.

São paginas de saudade, em que elle a retrata, e se retrata a si.

OS EDITORES.

Áquella que já não sente, pendura com mão tremula n'um ramo do seu cipreste esta pequena corôa

O Autor.[{9}]

[A CHAVE DO ENIGMA]

Dezembro de 1861

Digam embora que me biographei; vou escrever uma pagina da minha vida.

Se mais ninguem a lêr, lêl-a-hão os meus amigos. Ella tambem, êrma de interesses grandes, desenfeitada de estilo, e só attendivel, se o fôr, por verdade e affecto, aspira unicamente a captivar a attenção dos poucos para quem um murmurio de folhas n'um retiro de estio, e de vez em quando uns gorgeios ou pios de duas aves que se entrereclamam emboscadas, supprem conversações, leituras, e até pensar.