No cemiterio de Nossa Senhora dos Prazeres o tumulo N.º 48, convisinho á ermida da Virgem, deixa ler este epitaphio:
MONUMENTO
DE PERPETUA SAUDADE,
CONSAGRADO POR
ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO
A
SUA MULHER
D. MARIA IZABEL DE BAÊNA
COIMBRA PORTUGAL,
DIGNA SOBRINHA DE
NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA,
E
DESCENDENTE DO ANTIGO
POETA ANTONIO FERREIRA.
NASCÊO NO PORTO A 2 DE JULHO
DE
1796
E FALLECÊO EM LISBOA A 1 DE FEVEREIRO
DE
1837[{154}]
[NOTAS]
Pag. 17, lin. 10—Primeiros desastres de Castilho
Tendo 1 anno de edade cahiu Castilho em casa, dos braços da ama, por uma escada de pedra, e quebrou o osso sterno, onde conservou sempre defeito. Ficou tão abalado, que chegaram os paes a recear se lhe extinguisse a vida. Aos 4 annos teve tosse convulsa, e deitou muito sangue pela bocca. O estado em que ficou, obrigou sua mãe a leval-o para o campo. Isto tudo (note-se) foi antes do ataque de sarampo que o cegou aos 6 annos.
Pag. 10, lin. 5—Quinta dos Azulejos
Sobre a quinta dos Azulejos (tambem outr'ora chamada do Principe), no largo do Poço, no logarejo do Paço do Lumiar, junto a Lisboa, veja-se o que vem nas Memorias de Castilho, por Julio de Castilho, tomo I. O poço que se via no meio do tal resumido largo já não existe. Engana-se Castilho attribuindo a esta quinta, por conjectura vaga, a honra de ter communicado ao logarejo o seu nome de Paço. Essa gloria, segundo o erudito Vilhena Barbosa, pertence talvez á quinta dos Duques de Palmella.
É ainda hoje a quinta dos Azulejos um bellissimo especimen dos jardins nobres e ricos do seculo XVIII. Pena e grande pena foi, que os modernos proprietarios destruissem o arvoredo antigo, os buxos aparados, as murtas, etc., dos jardins em estylo velho, para substituir essas regradas opulencias vegetaes[{156}] por outras invenções pertencentes ao chamado jardim inglez. Estas serão muito bellas, mas desdizem dos azulejos primitivos, que lá campeiam ainda, e são dos mais vistosos, dos mais correctos, dos mais agradaveis que podem ver-se.
Quando, na muitos annos, visitou essa quinta o Poeta, ainda o estado antigo da parte rustica do predio se conservava intacto. É lastima que o alterassem.
Pag. 19, lin. 13—Antigos donos da quinta dos Azulejos