E Tu, Rainha pelos Portuguezes!…

Tu Atiraste ao Povo, que tinha fome, uma pedra com que os dentes lhe Quebraste, que elle esfaimado entre-abrira, julgando que lhe Atiravas algum pedaço de pão, que sobejava de tua lauta mesa, que elle paga!

Rainha pelos Portuguezes!…

Como foi que Tu Cumpriste o pacto Assignado por Ti, com lagrimas de saudade a teu Pai votadas, e por teu Povo com sangue derramado por Ti?…

Qual era a condição de Tua inviolabilidade? Cumpriste-a Tu?

Não És Tu mesma a confessar que Transgrediste a lei pela qual Foste feita
Rainha?

Tu mesma não Prometteste a esse Povo esfaimado Derogar leis que Fizeste contrarias á lei que Te fez de misera proscrita uma Rainha?

Tu mesma, Submettendo-Te a condições aviltantes não Te Degradaste já de Tua alta dignidade?

Tu mesma não És que Derrubaste essa muralha de corações devotos, que Te amavam, que palpitavam por Ti, e inviolavel Te faziam e Te guardavam?

Tu mesma não Foste que Deixaste cair o Teu sceptro de ferro sobre essas cabeças, que Te veneravam sagrada; e quasi que Te adoravam divina?