Tarde, bem tarde expiaremos as nossas culpas!

Tarde, bem tarde alcançaremos graça!

Porque a maldição de um Deos peza sobre o lusitano povo, como sobre o povo escolhido!

Porque um perjurio, um sacrilegio tanto excitaram a colera celeste que muito longa e tormentosa terá de ser a expiação!

Porèm diz-nos a consciencia, animada pela Fé robusta de nossos Pais, que muito e muito haverá de soffrer este povo escolhido; mas soffrer não deverá ser ignominia, aviltamento; porque elle é grande em sua pequenez, que encerra um passado glorioso, um futuro providencial para a felicidade, para a regeneração da caduca Europa!

A nossa voz rompe o silencio dos irmãos nossos, magoados, que choram pela Patria, e se envergonham de que os vejam chorar em terra alheia; e abafam seus gemidos para não parecerem ingratos, elles, que aqui não soffrem, na terra mais hospitaleira e venturosa!

Egoista, que por viveres abrigado de tantas miserias não te importa a fome e a guerra, que vão matando os teus irmãos n'outro hemispherio.

Devasso, que porque sobre a tua face não foi dada a bofetada, tua face fica pallida, impassiva, indiferente á affronta que lá soffreram, a duas mil legoas, os teus compatriotas.

Nenhum de vós se atreva a ler este papel.

*IV*