Pois se acha emfim conhecido o caminho largo e facil que nos ha-de levar á felicidade; pois que tantos desejos o devoram já em espirito, ¿por que não nos poremos desde hoje em marcha para a conseguirmos quanto antes?

Se os Legisladores, se os Governantes, se as supremas Autoridades não souberem, ou não poderem, ou não ousarem, collocar se á nossa frente; se houver interesses, que se lhes representem maiores do que o interesse maximo; saibâmos e ousemos nós, nós os cidadãos, nós o Povo, nós que o podemos, progredir sem mais impulso que o nosso instincto salvador, sem mais guia que a razão demonstrada. Tambem uma columna de luz levou o Povo eleito, atravez do deserto, para a Terra da Promissão. ¿Quem nos dará força? a associação. ¿É ella possivel? facilima.

¿Como se organisará?

Vamos vel-o.

Agosto de 1848.

III
Continuação do assumpto

SUMMARIO

O Jornalismo deve ser prégador da fraternidade agraria, exhortador e mestre de cultura, sendo o Diario do Governo quem dê o exemplo.—Como se formou a Sociedade Promotora da Agricultura Michaelense, podem outras formar-se e imital-a.—Uma Sociedade Promotora para cada cidade em que houver centro episcopal e administrativo.—Sociedades filiaes fomentadas por ambos estes poderes.—Relações mutuas entre as primeiras e as segundas.—Quadro dos resultados provaveis de tal systema.—Para a sua realisação bastam os cidadãos, sem auxilio do Governo.—Desenho geral da proposta machina de Sociedades, e descripção do seu jogo.—Indicação de meios pecuniarios para a manutenção d’estas Sociedades.—Summa conveniencia de um Ministerio dos negocios da Agricultura.—O que se tornaria Portugal, realisados todos estes alvitres.—Deseja-se que no Parlamento se alevante um homem.

Antes de tudo, é necessario que a Imprensa, representante n’este caso da opinião publica, tome a si o excital-a ainda mais, o esclarecel-a sobre os meios, o alvitrar, o discutir, o convencer os incrédulos, o afervorar os tibios; emfim, que procure compenetrar-se de profunda fé, para a transmittir egualmente profunda a seus ouvintes; armar se de constancia, de pertinacia, de fanatismo (se é licito dizel-o) até ver consumada a regeneração.

O Jornalismo, que, podendo, deixa de ser missionario do Progresso, é alguma coisa peor que uma ociosidade: é um musgo, que devora á arvore multiforme da instrucção proficua, parte da seiva que a devia alimentar.